Transplante de fígado requer didática da equipe de saúde

Pesquisa realizada na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP aponta necessidade dos profissionais de enfermagem assumirem o papel de educadores de transplantados de fígado. O objetivo, segundo o estudo, é o de suprir a falta de informação dos pacientes que realizaram esse tipo de transplante.

Estudo envolveu 92 pacientes do ambulatório de transplante de fígado do HC/FMRP

Para a pesquisadora, enfermeira Luciana da Costa Ziviani, esta cirurgia envolve procedimentos os mais complexos da medicina moderna. Por isso, adianta ela, requer uma posição diferente dos profissionais da saúde. “É preciso desenvolver estratégias de ensino-aprendizagem voltadas ao receptor do órgão” uma vez que o paciente sofre modificações significativas em seu comportamento e estilo de vida.

O estudo foi realizado com 92 pacientes do ambulatório de transplante de fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP e mostrou também a necessidade de conhecer a realidade e o contexto de vida dessas pessoas, bem como suas crenças e dificuldades.

Informações após transplante
A taxa de sobrevida dos pacientes estudados, índice que é calculado a partir da análise daqueles que estão vivos no primeiro ano após o transplante, chega aos 75% atualmente, valor considerado pela pesquisadora como “acima da média nacional.”

“Esse público necessita de informações após o transplante, para que possa ser dada continuidade ao tratamento com a prevenção de agravos, complicações e aumento da adesão”, ressalta a enfermeira, ao afirmar que explicações sobre cuidados com a área cirúrgica, complicações e efeitos colaterais são essenciais para um pós-operatório tranquilo.

Durante o estudo, Luciana também traçou o perfil sociodemográfico deste público. A maioria dos receptores (em transplante de fígado) é composta pelo sexo masculino (77,17%), com média de 55 anos e cerca de nove anos de estudo. “Os aposentados eram 46,74% e 25% estavam afastados de suas atividades laborais”, adiciona a pesquisadora.

Além disso, 41,3 % dos pacientes que realizaram transplante de fígado estão com cirrose viral da hepatite B ou C e 33,7% estão com sobrepeso. De acordo com Luciana, tais características podem comprometer a qualidade de vida, devido à possibilidade de reincidência da cirrose relacionada às hepatites e à gordura no fígado.  “A pesquisa mostra que quanto mais informação, menos riscos de complicações e maior adesão ao tratamento”.

A dissertação As necessidades de informação de receptores de transplante de fígado, orientada pela professora Cristina Maria Galvão, foi realizada entre os meses de fevereiro e junho de 2014 e defendida no final do mesmo ano.

Comentários estão fechados