SBD reitera segurança e eficácia dos filtros solares para prevenir câncer de pele e tratar doenças dermatológicas

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu nota aos médicos e à população na qual reitera sua percepção de total segurança e eficácia no uso dos filtros solares, sobretudo para prevenir o câncer de pele e auxiliar no tratamento terapêutico de doenças agravadas pela exposição inadequada ao sol. O comunicado da entidade tem o intuito de esclarecer dúvidas suscitadas após a recente publicação de estudo norte-americano (Downs CA, et al), que discorre sobre os efeitos deletérios causados pelo octocrileno, um ingrediente encontrado na composição de diferentes fotoprotetores.

Após a divulgação desse trabalho, comentários com interpretações equivocadas começaram a circular nas redes sociais, causando preocupação ao relacionar casos de câncer com o uso regular de protetor solar. “Imediatamente, nossos especialistas se mobilizaram para tranquilizar os brasileiros e assegurar a melhor informação sobre um tema tão sensível”, disse o presidente da SBD, Mauro Enokihara.

De acordo com o Departamento de Cosmiatria Dermatológica da SBD, não há evidências científicas de risco no uso dessas substâncias, que atendem rigorosos critérios em suas fases de produção e aprovação pelos órgãos de regulação no mundo. No Brasil, esse papel é cumprido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Regulação – A nota da SBD destaca ainda que todos os produtos aprovados pela Anvisa para comercialização no Brasil são avaliados por meio de uma série de testes, que incluem análises técnicas sobre sensibilização, mutagenicidade, absorção, irritação e toxicidade. Desse modo, aponta a Sociedade de Dermatologia, o órgão sanitário estabelece critérios científicos rígidos quanto às substâncias permitidas, sempre definindo suas concentrações máximas.

Atenta à segurança dos pacientes, no documento a entidade informa que continua a monitorar o tema. “Os benefícios do uso rotineiro dos filtros solares são comprovados, de forma cientificamente robusta, na redução dos efeitos danosos da radiação solar sobre a pele. Nesse sentido, a SBD acompanha atentamente os resultados de estudos sobre o assunto e, até o momento, mantém as recomendações para o uso dos protetores aprovados e registrados na Anvisa, de acordo com o Consenso de 2014 e a legislação brasileira sobre fotoproteção”.

Recomendações – De acordo com as indicações da SBD, não há uma medida que, isoladamente, garanta fotoproteção adequada à pele. Dessa maneira, é fundamental investir em estratégias associadas para alcançar níveis mais efetivos de proteção contra a exposição solar. Por isso, os dermatologistas brasileiros recomendam a incorporação dos seguintes hábitos e atitudes ao cotidiano.

• Evitar a exposição ao sol no período entre 10h e 15h. Na região Nordeste do Brasil, a restrição deve acontecer a partir das 9h, por conta da posição geográfica; e no Centro-oeste do País ou em estados com horário de verão, manter a restrição até às 16h;

• Usar filtro solar com FPS mínimo igual a 30 e de amplo espectro (UVA e UVB). A primeira aplicação do produto é fundamental, ela deve ser feita com atenção e cuidado, no mínimo 15 minutos antes da exposição;

• Aplicar duas camadas para amplificar as possibilidades de desempenho do produto;

• Reaplicar o filtro solar a cada duas horas ou após períodos prolongados de imersão na água;

• Usar roupas, chapéus e bonés como barreira física de proteção;

• Usar óculos de sol para prevenir o dano solar aos olhos;

• Buscar o abrigo à sombra natural (árvores) ou artificial (guarda-sol, tendas, etc) como medidas adicionais;

• Sempre usar como padrão a combinação de duas ou mais estratégias de proteção.

Superdosagem – Conforme salienta a SBD em seu esclarecimento, a pesquisa em questão foi realizada de forma experimental, ou seja, in vitro, em laboratório, com uma superdosagem de octocrileno que não corresponde à concentração verificada em nenhum filtro solar comercializado no mundo. Desse modo, não é possível utilizar tais conclusões para analisar os protetores utilizados no dia a dia, por milhares de pessoas.

De acordo com a coordenadora do Departamento, Edileia Bagatin, para que isso ocorresse seriam necessários estudos em seres humanos com o uso de uma concentração de octocrileno acima de 10%. Com esses parâmetros, estudos desse tipo dificilmente seriam aprovados pela Anvisa e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Além disso, na nota de esclarecimento, a SBD ressalta que pesquisas anteriores em seres humanos – também realizadas com concentrações elevadas – indicam que, mesmo quando essa substância (octocrileno) foi encontrada na corrente sanguínea dos voluntários, esse achado não implicou em risco aumentado de câncer em órgãos internos ou efeitos hormonais, não trazendo riscos para mulheres em fases de gestação e lactação.

Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia / Imagem ilustrativa: Pexels

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