Projeto que estuda os impactos da institucionalização precoce em São Paulo é oficialmente lançado

No último dia 28, o projeto Impactos de Intervenções sobre a Institucionalização Precoce (EI-3) teve o seu kick off na capital paulista. O evento, que ocorreu no auditório do Hotel São Paulo Higienópolis Affiliated by Meliá, reuniu profissionais e representantes das instituições envolvidas na pesquisa, assim como parceiros, apoiadores e investidores.

O EI-3 tem como objetivo principal documentar e comparar os impactos que o acolhimento institucional aprimorado e o acolhimento familiar aprimorado possuem sobre o desenvolvimento durante a primeira infância. Por meio dos sistemas oficiais de justiça, o projeto recrutará um grande grupo de crianças que foram retiradas dos cuidados de suas famílias biológicas e estão sob a tutela do Estado. Essas crianças serão incluídas como participantes do estudo e alocadas, aleatoriamente, em dois grupos:

Grupo 1: acolhimento institucional aprimorado
Grupo 2: acolhimento familiar aprimorado

O projeto também fará uma comparação dos grupos acima com crianças que nunca foram institucionalizadas e vivem com suas famílias biológicas (Grupo 3).

EI-3 é uma realização do Centro de Pesquisa do Instituto PENSI em parceria com a Universidade de Maryland (EUA), a Universidade de Tulane (EUA), o Hospital Infantil de Boston (Faculdade de Medicina de Harvard – EUA), a Associação Beneficente Santa Fé e o Instituto Fazendo História.

O projeto tem o apoio do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) e da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) e conta com financiamento do Centro David Rockefeller para Estudos Latino-Americanos – Universidade de Harvard, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Fundação Lemann (FMCSV), Lumos, The Two Lilies Fund, PartnershipsPLUS e JSI.

Assim como no restante do mundo, a pandemia de covid-19 alterou o cronograma inicial do projeto. “A pesquisa envolve o contato direto com as famílias e as crianças e nós não poderíamos expor esses grupos a mais um risco. Diante disso, optamos por aguardar a vacinação completa de todos os envolvidos no processo”, explica a psicóloga Dra. Stella Kappler, assistente de pesquisa do EI-3.

Com base nos resultados do Bucharest Early Intervention Project (BEIP), a hipótese prevista é que as crianças colocadas no acolhimento familiar terão melhores resultados no desenvolvimento global. A hipótese também destaca para este grupo de crianças um melhor desenvolvimento socioemocional e melhores padrões comportamentais e neurais de atenção e cognição social em comparação a crianças que permaneceram no acolhimento institucional aprimorado.

“Um diferencial desse projeto é que ele já parte dos resultados do BEIP e inova, incorporando o treinamento de melhoria dos cuidados, que será oferecido aos principais cuidadores das crianças participantes, nas famílias acolhedoras e nas instituições de acolhimento”, ressalta a psicóloga M.Sc. Nara Brito, que também é assistente de pesquisa do EI-3.

Para o professor da Universidade de Tulane, Dr. Charles Zeanah, o Brasil está tentando encontrar o melhor jeito de educar e cuidar de suas crianças, por isso os resultados do projeto são tão importantes. “Ele fornecerá evidências científicas que, posteriormente, poderão fundamentar políticas públicas no país, beneficiando a qualidade de vida das futuras gerações”, explica.

Por: Instituto PENSI / Foto Ilustrativa: Freepik

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