FERIDAS QUE NÃO CICATRIZAM

Algumas feridas são de difícil cicatrização. Às vezes, um simples arranhão na perna de uma pessoa que tem varizes, ou um pequeno ferimento nos pés de um portador de diabetes são o suficiente para dar origem a uma lesão crônica, que persiste durante anos, não responde a tratamentos convencionais e corre o risco de apresentar complicações graves.

Pacientes acamados por muito tempo ou que perderam a capacidade de locomover-se e, por isso, exercem pressão continua sobre determinadas regiões do corpo, são vulneráveis à formação de escaras, outro tipo de lesão que custa a cicatrizar.

A dificuldade de cicatrização não é exclusiva das feridas crônicas; pode ocorrer também em feridas agudas. É o caso das incisões cirúrgicas infectadas que não fecham e das áreas de trauma com laceração extensa da pele e dos tecidos adjacentes.

Durante muito tempo, a medicina lutou para reverter esses quadros, nem sempre com sucesso. Foi só a partir das últimas décadas  do século XX, que se tornou possível tratar adequadamente essas afecções com a aplicação clínica da oxigenoterapia hiperbárica. Conhecimentos antigos, há muito utilizados em mergulho e no trabalho em minas subterrâneas, serviram de base para o fisiologista Paul Bert publicar, em 1876, “A Pressão Hiperbárica”, obra que serviu de fundamento para uma nova especialidade médica, a medicina hiperbárica,  que trouxe grandes benefícios para os pacientes com feridas que não cicatrizam.

A associação do tratamento clássico com sessões dentro de câmaras fechadas, onde os doentes respiram oxigênio numa pressão atmosférica superior à pressão atmosférica no nível do mar (técnica conhecida como oxigenoterapia hiperbárica) tem-se mostrado eficaz para ativar o processo de cicatrização dos tecidos.

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