Especialista do Hospital Paulista explica o que é a Doença de Menière

Descrita em 1861, na França, pelo médico Prosper Menière, a Doença de Menière, também chamada de Síndrome de Ménierè tem seu diagnóstico clínico baseado em quatro sintomas: vertigem episódica recorrente, perda auditiva flutuante (a audição pode piorar ou melhorar em situações diversas), plenitude auricular (sensação de pressão no ouvido) e zumbido. Pode ser que o indivíduo tenha apenas um desses sintomas e não necessariamente todos juntos, mas é importante estar alerta a qualquer sinal.

O Prof. Dr. José Ricardo Gurgel Testa, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, destaca que ainda não há nenhuma comprovação científica da causa da Doença de Menière, já que existem inúmeros fatores que podem desencadeá-la, entre eles alterações do líquido no ouvido interno, anormalidades genéticas, sequelas de otites medias, traumas acústicos ou físicos ao labirinto, otosclerose, e até pós viral.

“Sabe-se que esta doença pode ocorrer em qualquer idade, porém com mais frequência em mulheres que homens, entre 40 anos e 60 anos, sem distinção de raças e, normalmente, com mais de um terço dos casos sendo bilaterais”, comenta.

Segundo o especialista, além da audiometria que avalia o grau de perda de audição e suas variações, é possível realizar outros testes para o diagnóstico mais preciso, como os testes vestibulares que confirmam a fase da doença e avalia a bilateralidade, os potenciais evocados para diagnósticos precoces e a eletrococleografia com a suspeita de aumento da pressão labiríntica e os exames metabólicos sanguíneos e de autoimunidade.  A tomografia computadorizada e a ressonância magnética servem para o diagnostico diferencial e da hipertensão dos líquidos labirínticos.

Identificando o grau da doença:

1)    Menière de certeza com diagnóstico definido de vertigens que são tonturas rotatórias e com confirmação histológica, mas que somente pode ser confirmada pós-morte;

2)    Menière definido com dois ou mais episódios de vertigem de 20 minutos ou mais, perdas auditivas flutuantes documentadas com audiometrias, zumbido ou plenitude auricular;

3)    Menière provável com um episódio definido de vertigem, perdas auditivas flutuantes documentadas com audiometrias, zumbido e plenitude auricular;

4)    Menière possível com vertigens episódicas sem perdas auditivas documentadas, podendo ter flutuações e desequilíbrio.

Estágios e controle da doença

A Doença de Menière apresenta também diversos estágios. Inicialmente, os sintomas são isolados e intermitentes de duração variável, em seguida, surgem vertigens de 20 minutos a 24 horas, associadas a perdas de audição, zumbido e pressão auricular com sintomas intensos e frequentes. Já no próximo estágio, há a ausência de vertigem com diminuição severa e irreversível da audição, além do desequilíbrio constante e, no último estágio, pode ser uma doença incapacitante e bilateral.

Para finalizar, o Dr. Testa explica que o tratamento se baseia nos controles das doenças associadas a uma dieta balanceada e com diminuição do consumo de sal e açúcar, incluindo a prática de atividades físicas.

“Pode haver também a necessidade de usar inibidores da hipertensão do sistema endolinfático e da realização de procedimentos cirúrgicos com injeções intratimpânicas na orelha media (corticosteróides e aminoglicosídeos), ou ainda, descompressões cirúrgicas das regiões dilatadas do labirinto, principalmente, do saco endolinfático e neurectomias ou secções do nervo vestibular”.

Fonte: Hospital Paulista

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