Edição 46 – Tratamento de feridas complexas e o uso de coberturas antimicrobianas

As feridas complexas são compreendidas por aquelas que apresentam área profunda segundo a anatomia da pele, geralmente de grande extensão com grande risco ou sinais de infecção, tornando um desafio clínico o manejo destas feridas com necessidade de prevenir ou tratar os sinais de infecção no leito. Para isso é muito considerado o uso de antimicrobianos tópicos, presentes nas coberturas encontradas no mercado, que na maioria dos casos são da classe de antissépticos, e os mais conhecidos são as coberturas à base de compostos de prata, e polihexametilbiguanida (PHMB). Estes dois atualmente são os mais conhecidos e utilizados no tratamento de feridas complexas. Segundo o Consenso de tratamento feridas infectadas, uma ferida que apresenta risco ou sinais de infecção e colonização crítica, deve entre outros fatores, receber tratamento com antisséptico tópico para colaborar no processo de descolonização do leito da ferida. Ainda no Consenso de Manejo e Gerenciamento do Biofilme, todas as feridas são potenciais para formação do biofilme, que entre outras necessidades, precisa de ação mecânica de rompimento e uso de antimicrobiano tópico associados para que se tenha efetividade no controle e eliminação do biofilme, prevenindo assim a infecção oportunista e em vários casos a estagnação da ferida em cicatrização ou complexa. Vale ressaltar que os antimicrobianos tópicos não dispensam ou substituem o tratamento sistêmico da infecção, apenas contribuem para suprimir a carga microbiana no leito da ferida. A prata é o antisséptico mais conhecido pelos profissionais, podendo ser associada a antibióticos ou coberturas impregnadas. Seu modo de ação é conhecido por inibir o mecanismo de proliferação das bactérias se ligando ao material proteico de maneira irreversível, podendo causar lise do microrganismo. O uso da prata deve ser realizado com objetivo da supressão dos sinais infecciosos no leito da ferida e na identificação da retomada da cicatrização em ferida estagnada afim de evitar riscos de toxicidade às células de cicatrização como o fibroblasto por exemplo. Para uma ação mais efetiva sobre o biofilme, depende de associações com outros componentes ou estruturas. O PHMB é um poderoso antisséptico da família das biguanidas, encontrada em apresentações de líquido, gel ou cobertura impregnada, tendo seu modo de ação de ligação ao peptídeo da membrana bacteriana causando rompimento da parede e escape do citosol. O uso do PHMB é mais seguro e pode ser utilizado para prevenção dos sinais e infecção no leito da ferida, não apresenta toxicidade às células chaves de cicatrização, sendo efetivo sobre o biofilme sem necessidade de associações. Para a prática clínica do tratamento de feridas complexas se faz necessário ampliar o conhecimento sobre os antissépticos para contribuir para efetividade da cicatrização. O profissional deve estar capacitado e seguro do uso de coberturas associadas à prata ou ao PHMB para estabelecer um plano de cuidado preciso e que apresentará benefício ao ferido, esteja atualizado e busque mais informações sobre as características de cada componente. Desejo bons estudos, cordial abraço.

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