Edição 45 – Dificuldade do enfermeiro na prevenção de lesões de pele em pacientes com COVID-19

O COVID-19 é uma enfermidade que agride as vias respiratórias, na qual o vírus apresenta-se extremamente infeccioso e provoca no individuo condições clínicas variadas, bem como sintomas múltiplos. Nas unidades de terapia intensiva os pacientes geralmente ficam intubados sob ventilação mecânica e apresenta alto risco de desenvolver lesões de pele, especialmente lesão por pressão, devido às suas condições clínicas e hemodinâmicas comprometidas, imobilidade no leito, percepção sensorial diminuída, entre outros fatores intrínsecos e extrínsecos que favorecem o desenvolvimento dessas lesões, portanto, é um desafio para a equipe multidisciplinar, pois os pacientes em cuidados intensivos podem apresentar deterioração da integridade da derme em questão de horas. A lesão por pressão é considerada como um evento adverso relacionado à saúde, porém, sua prevenção no contexto do coronavírus apresenta-se

como uma situação ainda mais desafiadora, pois as alterações decorrentes da infecção expõem o paciente à maior instabilidade, menor oxigenação tecidual, tempo de internação em unidade crítica prolongada e possível dificuldade de reposicionamento, fatores que favorecem o desenvolvimento da mesma. Além disso, associam-se a aspectos relacionados aos serviços de saúde, tais como escassez de materiais e tecnologias para prevenção, recursos humanos limitados, entre outros. No Brasil, os enfermeiros são responsáveis pela avaliação de risco de lesões por pressão desde a admissão do paciente e durante toda a sua internação, além de prescrever os cuidados de prevenção e tratamento. Por estarem na linha de frente do enfrentamento à pandemia, esses sofrem com uma enorme carga de trabalho, esgotamento e fadiga em longo prazo, ameaça de infecção, risco de desenvolvimento de lesões de pele relacionadas ao uso de equipamento de proteção individual e frustração com a morte dos pacientes a quem cuidam. Assim, se não houver dimensionamento adequado há o risco de cuidados serem negligenciados e a segurança do paciente pode ser afetada e comprometer gravemente tanto o posicionamento quanto o reposicionamento do paciente, inspeção sistemática da pele, análise do processo de desenvolvimento da lesão e demais medidas preventivas que precisam ser implementadas para a prevenção no contexto da COVID-19, pois estas lesões representam um agravo importante além dos gastos ao sistema de saúde. Sabe-se que muitas instituições no país necessitam de materiais básicos para manutenção da integridade da pele mesmo antes da pandemia, no entanto nesse período pandêmico esse problema pode ser ainda mais complicado, uma vez que a ampliação do número de leitos, bem como a criação de hospitais de campanha podem não ter sido considerados com materiais adequados, conforme as recomendações nacionais e internacionais. No quesito prevenção de lesão por pressão é essencial que os profissionais de saúde, notadamente a equipe de enfermagem, sejam capazes de implementar intervenções avançadas no paciente, de forma a mitigar os riscos intrínsecos e extrínsecos. Entretanto, é indispensável que sejam capazes de reconhecer as lesões potencialmente evitáveis, bem como a efetivação de diagnóstico diferencial de lesões decorrentes da oportuna patogenia do vírus.

Comentários estão fechados