“É preciso representatividade nas Casas Legislativas”, afirma ex-presidente do Cofen Ex-presidente do Cofen resume, em entrevista, o que falta para a aprovação do piso salarial e da regulamentação da jornada de trabalho

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Manoel Carlos Neri participa hoje da audiência pública sobre a Lei do Exercício Profissional da Enfermagem n 7489/86 e a Lei de Criação dos Conselhos de Enfermagem n 5905/73. Em entrevista, ele fala sobre os avanços e desafios da Enfermagem nesses 40 anos do Sistema Cofen/Conselhos Regionais.

Presidente do Cofen, de 2008 a 2012, Neri foi o responsável pela transferência do Cofen para Brasília, centro decisório do país. A gestão de Manoel Carlos deu caráter institucional ao Conselho, resgatando a credibilidade e a imagem perante a categoria.

Qual balanço dos 40 anos do Sistema Cofen/Corens?

Manoel Carlos: Nos últimos 20 anos não há avanço da Enfermagem que não tenha a marca do Cofen/Conselhos Regionais. O sistema tem dado uma contribuição fundamental para a melhoria da profissão no Brasil e para o reconhecimento nacional.

Os profissionais reclamam de longas jornadas e de baixos salários. Como os Conselhos contribuem nessa luta?

MC: É muito difícil porque contraria interesses poderosos no Brasil. Existe lobby do setor privado, do setor filantrópico. O Congresso Nacional e o próprio governo federal se dobram diante dessa pressão. A Enfermagem precisa se politizar, pois já somamos mais de dois milhões de profissionais no Brasil. É preciso que tenhamos representatividade nas casas legislativas. Acho que isso pode dar uma contribuição muito grande para a aprovação de reivindicações históricas para a categoria, como o piso salarial e a regulamentação da jornada de trabalho.

Além desses tópicos, existem outros nos quais o Cofen esteja fortemente engajado?

A qualidade da formação de recursos humanos na área de Enfermagem no Brasil é um tema essencial. Além fiscalização do exercício profissional, que é nossa missão histórica, o Cofen busca promover oportunidades de aperfeiçoamento, garantindo a qualidade do atendimento. A programação científica do CBCENF é um exemplo disto.

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