Doenças comuns de inverno: veja como se prevenir e evitar infecções

O tempo mais frio facilita a transmissão de diversos tipos de vírus e bactérias, podendo causar doenças como gripe, pneumonia, sarampo e meningite 
 

No contexto atual de pandemia, os cuidados devem ser redobrados. A melhor forma de prevenção é a vacinação 

Com a chegada do inverno e das mudanças de temperaturas, algumas doenças infectocontagiosas, como gripe, pneumonia, sarampo e meningite, podem aparecer.  E, diante do aumento de casos de COVID-19, os cuidados de todos devem ser redobrados. Para evitar o contágio, é preciso ficar atento e se prevenir. 

Segundo a Dra. Lessandra Michelin (CRM 23494-RS), infectologista e gerente médica de vacinas da GSK, o tempo frio faz com que as pessoas fiquem mais tempo em espaços fechados, o que facilita a transmissão de diversos tipos de vírus e bactérias. “É só esfriar um pouquinho que as pessoas fecham as janelas para se protegerem, e com o ambiente fechado, o ar não circula e nem se renova, favorecendo a proliferação e a propagação de quadros infecciosos. E, como muitas dessas doenças têm transmissão respiratória como a COVID-19, é fundamental que a população, principalmente crianças e idosos, que são os mais vulneráveis, estejam imunizados. A vacinação é a principal forma de prevenção, lembrando que outros cuidados como lavar as mãos também são importantes para essa proteção”, afirma.

Doenças com maior transmissão no inverno

Para muitos, é só o tempo esfriar um pouco que a coriza, o nariz entupido e a tosse surgem. Se for gripe, os sintomas incluem ainda febre/calafrios, dor de garganta, dores musculares, dores de cabeça e fadiga. A gripe é uma infecção viral respiratória aguda e altamente contagiosa, podendo levar a complicações graves e ao óbito.  A doença pode afetar indivíduos de todas as idades, sendo facilmente transmitida através da tosse, espirro e contato próximo com uma pessoa ou superfície contaminada. No resfriado, os sintomas, apesar de parecidos e comumente confundidos com os da gripe, são mais brandos e duram menos tempo. 
 

“A vacinação anual é a melhor medida de prevenção, de redução de complicações graves e de redução de óbitos relacionados à gripe. Quem ainda não se imunizou contra a doença este ano, é muito importante se vacinar o mais rápido possível. Lembrando ainda que quem se vacinou no fim de 2021, deve se vacinar este ano novamente. A vacina não é importante apenas para grupos prioritários como idosos e crianças, é essencial para todas as faixas etárias”, conta Dra. Lessandra.
 

A pneumonia é outra doença que preocupa e pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos.  A bactéria Streptococcus pneumoniae (ou pneumococo) é uma das principais causadoras de doenças pneumocócicas e é responsável por 60% dos casos de pneumonia. O pneumococo, também pode causar otite média, sinusite e, em casos mais graves, bacteremia e meningite.  Os principais sintomas são tosse constante, febre, ruídos por causa de problemas respiratórios, dificuldade para se alimentar, apatia, prostração, e aumento da frequência respiratória. 
 

Muitos não sabem, mas a ocorrência da meningite bacteriana também é mais comum no inverno. “A doença é grave, evolui muito rápido e pode se manifestar em qualquer faixa etária. Um dos principais agentes que causam meningite é a bactéria Neisseria meningitidis. Ela atinge as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e, se não for rapidamente diagnosticada, em 24 horas pode mudar o rumo da vida do paciente, evoluindo para sequelas graves e até óbito. Por isso, é preciso estar atento aos primeiros sinais e, claro, estar em dia com a vacinação contra os 5 principais sorogrupos (A, B, C, W e Y)”, alerta Dra. Lessandra.
 

Outros motivos de atenção são o sarampo e a coqueluche. Considerado eliminado no Brasil em 2016, o sarampo voltou a fazer vítimas após quedas das taxas vacinais nos últimos anos. Já a coqueluche é considerada uma infecção altamente contagiosa e pode ser fatal em crianças menores de um ano. 21

Transmissão similar à COVID-19

“Essas doenças citadas acima possuem em comum diversos fatores, principalmente a forma de transmissão, que se dá por contato com secreções e gotículas de tosse e espirro de pessoas contaminadas — como acontece com a COVID-19. A boa notícia é que para todas essas existe prevenção por meio da vacinação. Por isso, manter a caderneta de vacinação de todos em dia é essencial para um inverno sem doenças imunopreveníveis. Quanto mais pessoas forem vacinadas, mais pessoas estarão protegidas e menos doenças irão circular”, explica Dra. Lessandra.
 

A médica ainda complementa: “Além disso, outro ponto essencial é que os pais não devem levar os filhos doentes e com sintomas à escola, mesmo que sejam leves. E, qualquer pessoa que esteja sentindo sintomas, deve se isolar e utilizar as medidas comportamentais de prevenção como o uso de máscaras. Essas ações irão ajudar também na prevenção de outras doenças de transmissão respiratória”.

Principais formas de prevenção

O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), disponibiliza gratuitamente diversas vacinas, que protegem contra mais de 20 doenças — incluindo essas mais comuns do inverno -, para diversas faixas etárias, desde recém-nascidos até a terceira idade. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) possuem calendários de vacinação com recomendações que complementam o PNI, abrangendo também vacinas que atualmente só estão disponíveis na rede privada, para a imunização de todas as faixas etárias. 
 

“Estamos, atualmente, com campanhas de vacinação contra gripe, sarampo e COVID-19 acontecendo em todo o país. Mas, precisamos também lembrar a importância de mantermos altas coberturas vacinais para as outras doenças contra as quais já dispomos de vacinas. Se, por acaso, a pessoa não tiver mais a caderneta de vacinação, seja criança, adolescente, adulto ou idoso, deve procurar um médico ou ir a um posto de saúde para receber as orientações sobre as vacinas recomendadas para cada faixa etária e colocar a rotina de imunização em dia. Os benefícios da vacinação se estendem para além da infância, contribuindo, inclusive, para um envelhecimento saudável e para a qualidade de vida de adultos e idosos”, conclui Dra. Lessandra.
 

Além da vacinação, outras formas de prevenção de doenças respiratórias incluem manter hábitos de higiene, como lavar bem e com frequência as mãos com água e sabão, e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar, manter os ambientes ventilados, entre outros.

Por: IN PRESS PNI / Foto Ilustrativa: Freepik

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