Cremesp autoriza venda de derivado da maconha em casos de epilepsia

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) autorizou, em decisão inédita, a prescrição da canabidol (CBD) – um dos princípios ativos da maconha. Dentro da norma, 119 médicos paulistas estão autorizados a prescrever a substância.

A resolução foi publicada no “Diário Oficial do Estado” nesta quinta (9) e está liberada para bebês e crianças que tenham caso grave de epilepsia refratária ou para tratamentos convencionais. Segundo o Cremesp, resultados demonstram que o CBD reduz as crises compulsivas em pacientes com epilepsia.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, Mauro Aranha, coordenador da Câmera Técnica de Psiquiatria da Cremesp, afirma que a decisão não é um incentivo ao uso da maconha fumada, seja recreativa ou medicinal. “Estamos falando de um componente que pode ser isolado ou sintetizado por métodos laboratoriais seguros e confiáveis e que não causa efeitos alucinógenos”, diz.

Mauro Aranha afirma ainda que a norma, além de tranquilizar os médicos, que ficavam receosos em prescrever o CBD, já que não tem registro no país, ajudam também pais aflitos com uma doença rara, que pode evoluir para um quadro de retardo mental grave e morte.

A importação da substância CBD é permitida pela ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária), mediante prescrição e laudo médico, com a justificativa para o uso, termo de responsabilidade, quantidade necessária do produto, tempo de uso e formulário de solicitação de importação para remédios controlados. Ainda há o requerimento da assinatura de médico e paciente.

O canabidiol ainda consta na lista de substâncias proibidas pela ANVISA, sendo possível a importação apenas para uso médico e pesquisa. Estudos mostram a eficácia do canabidiol no tratamento de doenças raras que apresentam quadros graves de convulsão ou problemas de saúde que causam dores fortes.

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