Colonoscopia possibilita evitar ou descobrir cedo o câncer no intestino, 2º mais comum em homens e mulheres

O exame de colonoscopia, indicado a partir dos 50 anos para a população geral – ou 40 anos, segundo indicação médica, quando há alguma investigação em curso – tem o potencial de evitar a doença ao retirar pólipos que poderiam evoluir para câncer no intestino grosso e reto (prevenção primária) ou diagnosticar a doença em fase inicial (prevenção secundária/diagnóstico precoce)

O câncer colorretal (intestino grosso/cólon e reto) é o segundo tumor maligno, excluindo o câncer de pele não melanoma, mais comum em homens e mulheres, atrás apenas, respectivamente, de câncer de próstata e mama. São 41 mil novos casos previstos para 2022, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer. Este cenário seria alterado caso houvesse maior adesão no país à colonoscopia, exame que possibilita a prevenção primária (retirar pólipos – lesões presas na parede do intestino – que poderiam evoluir para câncer no intestino grosso e reto, evitando assim que a doença ocorra) e a prevenção secundária (diagnóstico precoce, ou seja, descobrir a doença em fase inicial, quando há maior chance de cura).

O exame de colonoscopia é indicado como estratégia de rastreamento populacional a partir dos 50 anos, mas pode ser indicado pelo médico a partir 40 anos, quando há alguma investigação em curso. É o caso, tornado público, pela cantora Simony, que, ao fazer uma colonoscopia aos 46 anos, teve diagnosticado um tumor na parte final do intestino, perto da região do ânus. Quando o câncer de intestino ainda é uma doença localizada, a chance de cura (o paciente estar vivo cinco anos após o diagnóstico) supera 90%. Comparativamente, quando há metástase, a taxa é em torno de 15%.

EM DOIS ANOS DE PANDEMIA, MENOS DE 148 MIL COLONOSCOPIAS NO SUS

Ao menos 148 mil colonoscopias deixaram de ser realizados no Sistema Único de Saúde nos últimos dois anos. Este número foi levantando pela SBCO ao conferir o banco de dados do DATASUS. O sistema registra a realização de 347.098 colonoscopias em 2019. Em 2020, quando houve medidas mais restritivas para contenção da disseminação do SarsCov-2, o que incluiu o fechamento de serviços de colonoscopia, foram realizados 241.329 exames (redução de 30,4% no ano passado)Em 2021, foi registrada uma retomada na procura pelo exame, porém, observou-se ainda uma significativa redução (304.004 colonoscopias, um volume 12,4% menor em relação a 2019). Dados preliminares de 2022 mostram que não houve retomada dos exames no país.

Para estimular a realização de colonoscopias e a retomada também de outros exames de rastreamento de câncer, como mamografia, PSA e toque retal, endoscopia, Papanicolau, dentre outros, a SBCO lançou a campanha Não dá para esperar. Cuide-se. O câncer não ficou de quarentena, um movimento permanente, que abraça todas as demais campanhas que já são tradicionais ao abordar tipos específicos de câncer. “Com acesso à informação de qualidade, ampliaremos a adesão aos exames preventivos e, com isso, impediremos que tenhamos uma epidemia de casos avançados de câncer e a pior das consequências, que seria o exponencial aumento das taxas de mortalidade”, ressalta o cirurgião oncológico Héber Salvador, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

O papel da colonoscopia é evitar que o paciente desenvolva a doença e necessite de cirurgia, radioterapia ou tratamento sistêmico. A decisão dependerá da extensão, tamanho e localização do tumor, assim como das condições gerais de saúde do paciente. Dependendo do caso, o tratamento pode incluir a radioterapia associada ou não à quimioterapia, no intuito de diminuir a possibilidade de retorno do tumor. No caso de metástase, as chances de cura ficam reduzidas, mas há terapias eficazes, envolvendo quimioterapia e resgate cirúrgico. Por isso, em casos específicos, os pacientes metastáticos podem atingir longos períodos de sobrevida e até mesmo a cura, dependendo do quadro e resposta ao tratamento.

Quais são os sinais de alerta? – Alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados), assim como alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas), são sintomas de alerta, que devem ser investigados. Os demais sintomas mais comuns são sangue nas fezes, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia e perda de peso sem causa aparente.

Como prevenir? – Recomenda-se a adoção de uma dieta que contemple o consumo de frutas e hortaliças, assim como evitar o consumo de alimentos processados e de bebidas alcoólicas, refrigerantes e outras bebidas açucaradas.  Moderação também é a palavra-chave em relação à carne vermelha e alimentos calóricos e/ou gordurosos. Os demais fatores de risco são sedentarismo, obesidade e tabagismo. A hereditariedade representa entre 5% a 10% dos casos, sendo a síndrome de Lynch a mais prevalente. Há também a polipose adenomatosa familiar, que é quando os pacientes apresentam um maior número de pólipos, devendo ser submetidos mais frequentemente à colonoscopia. 

Sobre a SBCO – Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é também promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida pelo cirurgião oncológico Héber Salvador (2021-2023).

Fonte: SENSU Consultoria de Comunicação / Foto Ilustrativa: depositphotos

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