Burnout agora é doença do trabalho. O que isso significa para a sua empresa?

*Por Marcela Ziliotto

Nos últimos meses, muito tem se falado sobre a importância dos cuidados com a saúde mental, tema que deve ganhar ainda mais visibilidade no próximo ano. Um dos transtornos psíquicos que tem ganhado cada vez mais destaque nas pautas empresariais é a Síndrome de Burnout, que tem suas raízes justamente na relação do indivíduo com seu ambiente de trabalho. Não à toa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu uma nova classificação para a Síndrome de Burnout. A CID 11, que entra em vigor a partir do dia 1 de janeiro de 2022, reconhece a doença como um fenômeno ligado ao trabalho, aumentando a responsabilidade direta e indireta das empresas com relação à saúde de seus colaboradores.

Ainda que mesmo antes do início da pandemia o Brasil já liderasse rankings de doenças mentais, sendo considerado pela International Stress Management Association (ISMA-BR) como o segundo país com o maior número de trabalhadores afetados pelo Burnout, boa parte da população ainda considera o tema um grande tabu, evitando buscar assistência médica adequada e lidando com o transtorno de forma banal. No ambiente empresarial isso se agrava e é aí que entra a importância da área de Recursos Humanos das empresas em cuidar da saúde mental de seus colaboradores, além de conscientizá-los sobre a relevância do assunto.

A pessoa acometida pela Síndrome de Burnout costuma entrar em um ciclo de três fases. Inicialmente, passa por um aumento brusco de produtividade e acaba por trabalhar mais do que oito horas por dia, por exemplo. A partir disso, a segunda etapa é o surgimento de outros sintomas como taquicardia, falta de ar, dores musculares, dor de cabeça ou insônia. Nesta fase, ainda é possível notar mudanças na alimentação.

Por fim, o ciclo chega à exaustão total, que pode resultar em falta ou não cumprimento de prazos. A síndrome também pode desencadear outras doenças como ansiedade e depressão. Entre as características mais evidentes deste transtorno estão o pessimismo, a baixa autoestima e as mudanças bruscas de humor. Muitas vezes essa condição pode ser confundida com o estresse, mas é importante entender que se trata de uma doença mais grave.

Além de danos para a própria pessoa, a Síndrome de Burnout também é maléfica para a empresa, já que a condição afeta a pessoa colaboradora e prejudica a sua performance na companhia. Esse transtorno costuma se desenvolver gradualmente, de acordo com mudanças que ocorrem no ambiente de trabalho e situações que provocam o esgotamento físico e mental, como a sobrecarga de atividades, a forma como o gerenciamento das tarefas é conduzida, a falta de autonomia ou de flexibilidade, a atmosfera tóxica, o retrabalho e a falta de delimitação entre os compromissos de trabalho e a vida pessoal.

Por isso, é tão importante que as empresas analisem e mantenham seu próprio ambiente de trabalho o mais amigável e humano possível, valorizando os cuidados com a saúde mental dos colaboradores e transformando a experiência deles como parte integrante do sucesso da companhia. Para isso, o departamento de Recursos Humanos pode contar com o apoio da tecnologia no gerenciamento do ambiente interno, aplicando ferramentas de gestão, propondo metas realistas, distribuindo tarefas igualitariamente, treinando as lideranças para as relações interpessoais e incentivando a cultura de feedbacks. Com isso, é possível perceber melhorias no engajamento dos funcionários, aumento da retenção de talentos, diminuição do absenteísmo e dos custos com afastamento por questões de saúde.

Ainda que o enfrentamento da doença e a superação dela sejam questões muito pessoais, a empresa que possui um colaborador diagnosticado com Síndrome de Burnout tem o dever de fornecer ajuda para que ele se sinta compreendido e apoiado. O tratamento médico adequado e o afastamento da atividade profissional são extremamente necessários, assim como a realização de mudanças no estilo de trabalho promovido. Esta situação também sinaliza para a empresa que algo pode não estar bem, deixando-a em alerta para possíveis novos casos.

Quando preocupada com a saúde de sua equipe, as companhias ainda podem adotar medidas que evitem o surgimento de transtornos mentais, como aplicativos e plataformas de acesso a profissionais como psicólogos e psiquiatras. É importante que a saúde emocional passe a ser cada vez mais debatida no meio corporativo, fazendo com que as empresas compreendam que os cuidados mentais não devem mais ser entendidos como um benefício extra, mas sim como uma responsabilidade delas.

*Marcela Ziliotto é Head de People na Pipo Saúde, startup de gestão de benefícios que nasceu com o objetivo de otimizar e facilitar a relação do RH de empresas com planos e serviços de saúde.

Por: NR7 / Foto Ilustrativa: Freepik

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