Tudo o que você precisa saber sobre o câncer de mama

Para marcar o Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, a Dra. Maira Caleffi, médica mastologista e presidente voluntária da FEMAMA, reúne informações que toda mulher precisa saber sobre o câncer de mama:

1) Exames de rotina: a partir dos 40 anos todas as mulheres devem realizar a mamografia anualmente. É o que preconizam entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia, visando desta forma garantir o diagnóstico precoce da doença. Todavia, o sistema público de saúde não permite às mulheres brasileiras seguirem essa diretriz.

“Atualmente, de acordo com portaria 61/2015 do Ministério da Saúde, apenas mulheres com 50 a 69 anos têm garantia de realização do exame pelo SUS, embora a Lei 11.664/2008 determine desde 2009 a realização gratuita do exame a todas as mulheres a partir dos 40. A FEMAMA defende que o rastreamento do câncer de mama através da mamografia inicie aos 40 anos de idade”, explica.

Antes dos 40 anos, a mulher deve solicitar ao ginecologista ou ao mastologista um exame clínico das mamas, que consiste em exame de toque, além de realizar testes complementares caso o médico solicite, como ultrassom, mamografia ou ressonância magnética.

2) Histórico familiar: em caso de mulheres cujos parentes de primeiro grau tiveram histórico de câncer de mama, os exames devem iniciar dez anos antes da idade que o familiar tinha ao detectar o tumor. Por exemplo, se a mãe teve câncer de mama aos 40 anos, a filha é orientada a investigar e fazer o acompanhamento anual a partir dos 30 anos. O médico solicitará os exames específicos para cada caso.

Alguns casos de câncer de mama, entre 5 e 10% deles, podem ser provocados por mutação nos genes BRCA1 e BRCA2. Essas mutações são transmitidas geneticamente e aumentam muito as chances de se desenvolver o câncer de mama e de ovário. A partir da comprovação da presença de mutação dos genes é possível tomar medidas profiláticas como a quimioprevenção, a remoção das mamas ou a retirada dos ovários para evitar que a doença se desenvolva.

“O Projeto de Lei 6262/2013 da deputada Carmen Zanotto, que contou com o apoio técnico da FEMAMA em sua elaboração, pretende incluir no SUS os exames genéticos para detectar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres que possuam indicação para realização dos testes de acordo com protocolo clínico do Ministério da Saúde. Este Projeto está apensado (tramitando em conjunto) ao Projeto de Lei 3437/2015 desde novembro de 2015”, explica a presidente da FEMAMA.

3) Autoexame: o autoexame é uma prática de autocuidado. Por meio dele, a mulher pode conhecer seu corpo e notar quaisquer alterações nas mamas, procurando rapidamente um médico para investigar sua saúde. Porém, em nenhuma hipótese essa prática substitui a mamografia ou o acompanhamento médico. Nódulos perceptíveis ao toque apresentam, em geral, ao menos um centímetro. Se confirmado o tumor, tal medida não corresponde ao estágio inicial da doença. Por isso a mamografia é tão importante: o rastreamento anual em mulheres a partir dos 40 anos é capaz de detectar nódulos e alterações imperceptíveis ao toque, aumentando as chances de cura.

4) Fase assintomática: o estágio inicial do câncer de mama, na maioria dos casos, não apresenta sinais evidentes de sua manifestação. Logo, a doença é descoberta a partir de exames como mamografia, ultrassom ou ressonância magnética, por exemplo. Ao contrário do senso comum, a dor mamária raramente está ligada ao câncer.

5) Sintomas: quando os sintomas surgem, normalmente o tumor já apresenta mais de um centímetro. Algumas alterações físicas podem ser indícios de câncer de mama e, caso evidenciem-se, um médico deve ser procurado para determinar se tais sintomas correspondem ou não ao câncer de mama.
Esteja atenta a estes sinais:
Nódulo (caroço) no seio ou na axila. Eles podem causar ou não dor, ser duros e irregulares, ou macios e redondos;
Dor ou inversão do mamilo, que se volta para dentro da mama;
Secreção no mamilo, sanguinolenta ou não;
Inchaço irregular em parte da mama, podendo ficar quente e avermelhada;
Irritação ou retração na pele, ou, ainda, rugosidade semelhante à casca de laranja;
Vermelhidão ou descamação do mamilo, ou da pele da mama;
Em quadros mais avançados, pode aparecer ulceração na pele com odor desagradável.
6) Nódulos: sua presença não representa, necessariamente, um câncer de mama. Em sua maioria, consistem em cistos e adenomas benignos; ou seja, sem relação com a doença. Contudo, toda alteração suspeita na mama deve ser investigada junto ao médico, rapidamente.

7) Como prevenir: não é completamente possível evitar o surgimento do câncer de mama, uma vez que está ligado a alterações genéticas herdadas ou adquiridas ao longo da vida, lembrando que somente cerca de 10% dos casos de câncer de mama são considerados hereditários. Ainda assim, bons hábitos auxiliam a reduzir os riscos de desenvolver a doença, como não fumar, evitar consumo de bebidas alcoólicas, dormir bem, praticar exercícios físicos, cultivar alimentação saudável e manter o peso adequado. Vale ressaltar que mesmo as mulheres que seguem estas recomendações à risca, embora estejam mais protegidas, também estão sujeitas a desenvolver câncer de mama em algum momento de suas vidas, por isso é tão importante uma cultura efetiva de acesso ao diagnóstico precoce.

8) Tratamento: caso o câncer de mama seja diagnosticado, é importante ter em mente que essa é uma doença altamente curável, desde que diagnosticada e tratada com agilidade. Existe uma lei, conhecida como Lei dos 60 Dias, que determina que o tratamento oncológico deve iniciar em no máximo 60 dias após a confirmação do diagnóstico na rede pública de saúde. Essa regra precisa ser posta em prática. Cada mulher receberá uma indicação de tratamento específica para o seu caso, não existe um processo padrão. É fundamental tirar todas as dúvidas com a equipe médica que fará o atendimento e estar confortável com as decisões tomadas. Além disso, o apoio da família, amigos e outras pessoas que passam pela mesma experiência é muito importante. Instituições de apoio a pacientes podem ser ótimas aliadas no enfrentamento desse processo. Informe-se sobre a doença, busque apoio, fortaleça-se e exija seus direitos.

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